Dia 11 – A roda-gigante do destino…

Paris, sábado, 6 de Julho de 2013.

O pessoal do curso combinou de ir a Versailles, mas quando eu vi o Sol e me lembrei que era sábado, desisti na hora! Lá costuma ficar lotado dia de semana… Imagina sábado?! E como eu já estive lá quando visitei Paris pela primeira vez, achei que não valeria o perrengue. (Se quiser visitar o site oficial do castelo, clique aqui.)

Acabei tirando um tempo pra limpar meu quarto, arrumar minhas coisas, e conversar com a minha familia… =)

O dia estava lindo, e eu achei que um piquenique no final dele cairia bem. Combinei com algumas amigas de irmos até a Grande Épicerie de Paris para comprar algumas coisas, e depois pegar o metrô em direção ao Parque de Belleville. Claro que, como todo programa em que estão envolvidas mais de duas pessoas, não deu certo. Não chegaríamos a tempo ao Parque. Decidimos entao nos sentar no jardim em frente ao Le Bon Marché e comer ali mesmo.

Essa fascinação dos franceses (será uma coisa dos europeus, talvez?) com praças e jardins é muito curiosa. Em qualquer cantinho verde (independente do tamanho) você vai achar alguém desfrutando daquele pedaço de natureza. Talvez por termos uma natureza muito esplendorosa não costumemos dar valor a esses pequenos espaços… Fica a dica…

De lá, fomos andando em direção ao Sena… Sempre ele… Era por volta de 21:30 e a tarde começava a cair. O Sol se esparramava como ouro por sobre o rio.

Diante de uma visão tão esperada (o pôr-do-Sol na cidade-luz) decidimos correr para apreciar o espetáculo de camarote na Grande Roue de Paris que está no Jardin de Tulleries. 10 euros pra dar umas 4 voltas… Ok! A recompensa é uma das mais deslumbrantes vistas que eu ja tive da cidade!

Quando descemos, resolvemos continuar nosso piquenique no Jardin des Tuileries, com a Torre Eiffel de um lado e o Louvre de outro. Todos esses lugares públicos ficam bem cheios nessa época do ano (e até bem tarde), então basta ter um pouco de atenção que o programa está longe de ser perigoso.

Caminhamos depois em direção ao Louvre pra admirar a linda pirâmide iluminada. As meninas nunca tinham ido lá, e também não sabiam que a Torre brilha de hora em hora. Enquanto eu e Meissa procurávamos a “linha rosa”, um francês parou perto de nós e começou a puxar assunto. Como tinha mais gente perto fiquei tranqüila (brasileiro sempre desconfia de estranho, né?!) e conversamos com ele… Ele ficou um tempão falando do Brasil, da França e de moda. Ficamos na duvida se ele estava dando em cima da gente, mas quando nos despedimos vimos que ele foi catar outros turistas pra conversar, então chegamos à conclusão de que ele era só carente mesmo.

Seguimos nossa jornada passando pela Pont des Arts, e decidindo terminar o caminho de volta pra casa de Velib. Ajudei as meninas a comprarem o passe, e estávamos todos já em cima das bikes quando uma delas ficou em pânico com a possibilidade de andar na rua… Tadinha! Com pânico não é legal, então todos devolvemos as bikes e deixamos o passeio em grupo pra uma outra vez.

Nosso dia/noite terminou com uma história digna da fama (nem sempre correta) da cidade e de seus mal-humorados habitantes. Ficamos quase meia hora tentando pegar um táxi – depois que o metrô fecha, as ruas viram “terra de ninguém” e as pessoas se matam por um táxi pra chamar de seu!

Quando enfim conseguimos achar um, entramos, e eu disse o nome da rua ao motorista. Como todo ruim bom motorista de táxi francês, ele deu uma “zoada” básica, fazendo o tipo “não entendi o que você disse”. Nosso amigo francês, Max, “traduziu”, e eu acrescentei em francês: “Não é possível que o senhor não tenha me entendido, afinal, deve estar acostumado a trabalhar com turistas, né?” Ele simplesmente balançou a cabeça e continuou. Quando entramos no táxi, as meninas estavam falando português entre si, e após essa “situation”, continuamos a nos comunicar na nossa língua nativa. Eu, como SEMPRE faço, saquei meu Iphone da bolsa pra olhar o caminho no Mapas… a diferença é que como dessa vez eu tinha companhia, externei isso em português alto e claro:

– “Tô ligando o mapas! Assim ele não engana a gente…”

Depois que falei isso, senti um frio na espinha… mas achei que fosse só cansaço e não dei bola. Continuamos falando em português e comentando sobre o famigerado “humor” dos parisienses, principalmente dos taxistas.

Quando chegamos ao destino e já estávamos fora do carro, ele mandou:

– “Vocês foram os piores fregueses que eu já peguei na vida!”

Só deu tempo de emendar um

– “Idem, simpatia!”

Ele falou em PORTUGUÊS… Ou seja, era um gajo de Portugal, e em vez de se identificar desde o início quando nos ouviu falando em português, simplesmente preferiu ficar “na moita”! Ora, faça-me o favor!!!

Quando ele arrancou com o carro morremos de rir da situação, e eu me lembrei da intuição que tive e não escutei… De qualquer maneira, já estava tarde e todos estavam cansados. Consegui dormir logo, com a visão da cidade vista da Roda Gigante grudada na minha retina… Nenhum taxista mal-humorado seria capaz de borrar um dia tão incrível quanto esse!

20130710-071731.jpg

20130710-071801.jpg

20130710-071822.jpg

20130710-071840.jpg

20130710-071856.jpg

20130710-071916.jpg

20130710-072217.jpg

20130710-072224.jpg

20130710-072507.jpg

20130710-072523.jpg969491_10151658486637707_701131485_n

Comente!
  • Aline

    Affer… “portugues-parisiense”só podia dar nisso. Infelizmente cheguei à conclusão que portugueses não gostam de brasileiros e parisienses não gostam de turistas em geral! Mas realmente um dia como esse em Paris é infefectível! Adorei o texto! 😉

  • Maria Helena G.G.Dagnolo

    Nanda,taxista já é difícil agora,taxista português é dose pra elefante;ou seja,é recalque puro…..bjs.M Helena.