Dia 18 – A portabilidade da paciência.

Paris, sábado, 13 de julho de 2013.

Sábado, ao contrário do que costuma acontecer no Brasil, acaba sendo um dia em que eu prefiro ficar um pouco em casa. Como eu saio a semana inteira pro curso, e depois pra passear pela cidade, acabo exausta no final da semana.

Fiz então o básico: arrumar o quarto, limpar, lavar a roupa, tomar café da manhã com calma…

A tarde eu havia combinado com o pessoal de ir passear em montmartre, e eu teria que estar de volta as 20h para receber uma americana que havia alugado o quarto do colocataire que estava viajando. Achei estranho ele não ter me falado nada. Foi ela quem me ligou ontem avisando que chegaria e perguntando se eu poderia recebê-la.

Quando saí me toquei de uma coisa: eu havia feito uma inscrição na free mobile pra receber um simcard e ter ligações e textos ilimitados e internet de 3gb por mês por 19,90. Quando fiz essa inscrição, optei pela portabilidade pra manter meu numero da SFR. Bom… Acontece que ao colocar o endereco eu coloquei apenas o meu nome, e isso NÃO funciona em Paris! Não existe numero de apartamento, apenas caixas de correio com os nomes das pessoas que moram lá. O resumo é que o meu simcard não chegou, mas a portabilidade foi feita, entao as 16h do sábado dia 13 de julho, o meu simcard da SfR não passava de um pedaço de plástico inútil…

Sabendo que teria que estar com o celular pra ser contatada pela Usha, corri na Orange e comprei outro chip pré pago. So depois disso consegui falar com o pessoal e encontrá-los en montmartre, no mur des je t”aime – um dos meus lugares favoritos lá!

Depois seguimos passeando pela rue Lepic e fomos ao Cafê des Deux Moulins pra saborear o “gôuter d’amelie” – capuccino + creme brulee. Delicioso como sempre! Pena que, como quase em todos os lugares de Paris, o atendimento deixa muito a desejar…

Saindo de lá achei melhor voltar logo pra encontrar a Usha, e tarik e Deniz foram comigo… Enquanto eles aproveitavam a vista da torre (a única coisa que realmente vale a pena nesse apartamento), eu fui fazer alguma coisa pra comermos.

As 20h a Usha chegou. Super fofa e empolgada com a viagem. O problema foi quando ela entrou no quarto em que iria ficar… O quarto estava de cabeça pra baixo, com a roupa de cama toda espalhada, os armários meio abertos (por ser impossível de fechar), e varias cuecas secando.

Ela ficou chocada, claro, e eu morrendo de vergonha alheia. Quando a gente aluga um quarto, independente de ser caro ou barato, a gente espera o mínimo, ou seja, limpeza e funcionalidade! Não havia nem uma TOALHA separada pra ela…!

Enfim, tentei amenizar ao máximo aquela situação, mas não tinha muito o que fazer. Fiz crepes e omeletes pra todos e sai com Deniz e Tarik pra encontrar as meninas em Saint-Germain-des-Près.

Fomos a um pub Em saint-germain, mas tava bem vazio, desanimado, e era meio caro. Quando deu 1h eu resolvi voltar pra casa. Íamos acordar cedo pra ver o desfile militar na Champs Elyzee.

Ao voltar de velib, passei por duas casernas de bombeiros e vi as filas dos famosos bailes dos bombeiros. Eu tinha uma idéia diferente, meio romantizada desses bailes. Na verdade, são grandes baladas e, pelo o que eu vi tão (ou mais) selvagens que as baladas brasileiras, com muita gente bastante bêbada e bem louca! Foi bom ter passado na porta. Tinha pensando em ir amanhã, mas nem pensar! Fora a fila gigante pra entrar…

Cheguei tranqüilamente em casa. Como é bom poder voltar de bicicleta sem se preocupar… E agora, quando eu deveria dizer “bonne nuit” a vocês, aconteceu o seguinte: o colocataire que não havia viajado me perguntou de manhã se alguns amigos dele poderiam dormir lá. Eu disse “Claro! Sem problema eles dormirem na sala”. Entao as 2h da manha eles chegaram, so que eles NÃO dormiram! Passaram a madrugada inteira conversando (gritando), bebendo, fumando, e rindo… Alto, BEM alto! Não consegui dormir direito, óbvio! O que nos leva ao capítulo de amanhã…

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