Dia 19 – The rise and fall of the Bastille

Paris, Domingo, 14 de Julho de 2013.

Levantei com muito sono, e quando abri a porta do quarto duas criaturas ainda estavam acordadas conversando. A conversação é seguir é verídica:
– (eu, com a cara bem amarrada) Bom dia…
– Bom dia… Nós fizemos muito barulho?
– fizeram… MUITO!
– Sentimos muito…
– não! EU sinto muito de estar aqui…

Passei por cima de um monte de bolsas e mochilas que estavam espalhadas pelo chão da sala pra chegar ate a pia. Comecei a preparar meu café e percebi que eles começaram a sussurrar;

– Agora vcs podem falar alto! Já estou acordada mesmo!
– Mas é que tem um amigo nosso dormindo…
– (sangue subindo rapidamente à cabeça) Ah, claro! Só que agora quem vai fazer barulho sou eu!

E comecei a preparar minha omelete batendo os ovos com bastante força… Fora os talheres que eu joguei na pia, e a porta do quarto que eu batia toda vez que voltava lá pra pegar alguma coisa.

– Pôxa, desculpe… É que nós somos “vampiros”. Não dormimos. (Risos)
– (pausa com a expressão facial inalterada) HA HA HA!

Então a Usha levantou com uma cara péssima, de sono e de susto. Tomamos café e fomos em direção à champs Elyzee pra assistir ao desfile militar.

Encontramos o pessoal na casa da Giu e fomos todos juntos. Na verdade, por termos esperado alguns que estavam meio atrasados, acho que perdemos o verdadeiro desfile, pois vimos apenas alguns tanques e caminhões de bombeiros passando. (Aliás, como eles fazem pra estar no baile na noite anterior e mega acordados de manhã??) Ah, vimos também a esquadrilha da fumaça passando e deixando o rastro tricolor pelo caminho. Isso foi bem bonito!
Todos cansados e com fome, acabamos sentando num bistrot pra comer ali mesmo perto da champs elyzee. A minha comida até estava gostosa (magret de canard com batatas), mas o preço era bem salgado, o atendimento péssimo, e as comidas dos outros não estavam legais.
Voltei pra casa pra descansar e estudar um pouco pra prova de amanhã antes de irmos ao champ de mars pra ver os fogos de artificio.

Ao sair de casa, deixei um bilhete bem desaforado pro Marc sobre a péssima noite que passamos!

Os fogos de artificio foram um sucesso! Graças a dica do Gui Poulain chegamos lá as 18h (3 horas antes da hora do concerto), e conseguimos sentar na grama BEM na frente da Torre!

Picnicamos, rimos, brincamos, e por volta de 21h30, ao pôr do sol, comecou o lindo concerto… A mistura da paisagem + amigos + Torre + Música foi realmente magica!

As 23:30h a Torre apagou por alguns segundos, e os fogos começaram… Foram quase meia hora dos mais belos fogos que eu jã vi… Num balé perfeito e sincronizado ao som de musicas antigas e modernas, francesas e estrangeiras… Tocou ate Música brasileira (não foi Michel Teló, graças a Deus!), e em determinado momento a Torre ficou com as cores do arco-íris, símbolo da causa gay, em homenagem ao casamento gay que foi recentemente aprovado na França.
Foi tudo realmente inesquecível. Com certeza uma das coisas mais lindas que já vi.
A saída, como ja tinham me avisado, foi tipo sair da praia de Copacabana no reveillon. Milhões de pessoas andando meio sem destino, numa grande massa, em busca de uma maneira de voltar pra casa.

Tivemos que andar da Torre até a estacao franklyn roosevelt pra conseguir um metro. E foi exatamente no trem que aconteceu a seguinte situacao: Usha e eu sentamos naqueles banquinhos “folder” do canto. Na estação em que entramos o metrô ainda estava vazio e Usha estava com a perna machucada. De repente, o trem lotou. Pensei em levantar, mas eu estava bem no canto, e não adiantaria muito porque a Usha continuaria sentada por conta da perna. Num determinado momento um francês virou pra ela e disse:

– Por que vc não se levanta?

Ela respondeu em inglês que estava com a perna machucada, e eu traduzi logo em frances sabendo que o cara já estava puto. Quando eu estava me levantando pra não piorar a situação, ele virou de maneira bem agressiva pra mim e disse:

– E vc? Tá com a perna machucada tb?

Já estressada pela noite anterior, fiquei bem incomodada com a maneira que ele usou pra se dirigir a mim, e disse;

– Não. Não estou com a perna machucada, mas não vou levantar!
– vai levantar sim!
– não vou levantar não!
vai levantar sim!
– não vou levantar não!
vai levantar sim!
– não vou levantar não!
(Me cutucando) vai levantar sim!
– O senhor não pode me tocar!
– Posso tocar sim!
– Não! O senhor NAO PODE me tocar.

Depois dessa última frase dita com bastante ênfase e na mesma vibe que a dele, ele parou…

Na boa, eu teria levantado na hora, mas ele foi extremamente mal-educado e agressivo. Não dã pra aturar!!!

Chegamos então em casa, e não tinha ninguém. Torcemos pra continuar assim. Havia apenas um bilhete do Marc pedindo desculpas pela noite passada… #soquenao é suficiente, claro! Afinal, não foi a primeira vez…

Bonne nuit tentando esquecer da falta de noção de alguns franceses, e lembrando apenas do espetáculo de luz e cor que ficará pra sempre grudado na minha retina…

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